sáb., 05 de set. | Jitsi Meet

Tricontando (on line)

O projeto é uma parceria entre a Casa Eliseu Voronkoff, a página de incentivo à leitura, Capitu Lê, e a Gato de Gola, artigos em tricô
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Tricontando  (on line)

Horário e local

05 de set. de 2020 14:00
Jitsi Meet

Sobre o evento

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Segue o texto que será ponto de partidade para nosso bate-papo nesse encontro: 

 

A CASA DO URUBU

Era uma vez um urubu que voava tranqüilo. Majestoso no seu vôo solene. Estava muito tranqüilo aproveitando esse voar magnífico. Estava tão distraído que nem percebeu o que vinha por aí. De repente caiu uma chuva tão pesada que parecia que o mundo ia acabar. Era chuva pesada. De dar medo. Raio e trovão. Trovão e raio. Com certeza ia alagar o mundo. O urubu não quis saber de mais conversa, foi voando como um raio e, sem olhar pra aqui e nem pra acolá, pousou no telhado de uma casa velha. Ficou olhando como as outras aves, que voavam tão rasteiro, se arranjariam, quando ele, rei dos ares, não tinha onde se esconder. Umas pombas alvoroçadas vinham também fugindo da tempestade e entraram nos pombais como se entrassem nas suas casas. E vai o urubu falou assim: 

- Deixa vir o Sol que eu também vou fazer minha casa!

Depois vieram as andorinhas e se esconderam na beirada das telhas. E o urubu tornou a dizer: 

- Eu também vou fazer minha casa. 

Depois vieram as cambaxirras e se enfiaram no buraco de um muro. Um buraco logo em frente do urubu. O pássaro ficou com inveja. As cambaxirras ficaram muito quietinhas, muito arrumadinhas no seu canto. E vai o urubu e disse: 

- Eu também vou fazer minha casa. 

Depois um joão-de-barro, morador velho de um ipê seco, meteu a cabecinha fora do buraco de sua casa de terra e ficou espiando a chuva. O urubu tornou a dizer: 

- Eu também vou fazer minha casa.

A chuva caía que não era brinquedo. Uma coisa terrível que parecia não ter fim. O vento assobiava danado de bravo. Os trabalhadores vieram correndo da lavoura e entraram na casa onde o urubu estava em cima do telhado. O coitado do urubu estava molhadinho como um pinto e jurando por Deus Nosso Senhor que quando surgisse o Sol ele ia fazer sua casa. 

Mas...

Como tudo que é mal não dura tanto... Veio o Sol que iluminou e aqueceu todo o lugar. O urubu, sentindo aquele calor gostoso, não quis saber de mais nada. Sacudiu as asas e voou para esquentar o corpo. Logo que ficou enxuto e bem lá em cima, não se lembrou mais de fazer a sua casa e, muito prosa, ia vendo que os outros pássaros não podiam chegar onde ele estava. Ele voava muito alto. Longe das nuvens. Quando desceu, encontrou com a cambaxirra que estava muito preocupada com a casa de seu compadre. Nervosa ela perguntou ao urubu: 

- Quando o compadre vai fazer sua casa? Quer ajuda?

E ele sem querer ser deselegante, mas com pouca paciência respondeu:

- Aí, cambaxirrinha... Não quero fazer casa! A minha casa é o céu! Você tem casa, mas não é capaz de ir aonde eu vou. 

E batendo as asas com força o urubu gritou: 

- Quem tem asa... Pra quê quer casa?

E acabou a história.

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