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Exposição Lilith

8 de out.
3 min de leitura

A exposição é composta por poemas escritos e reunidos por Eliseu Voronkoff em uma publicação super artesanal que, acreditamos, tenha sido feita por ele mesmo.


O Eliseu era muito essa pessoa que fazia, que resolvia, que não sabia esperar, que tinha muita pressa e vontade de viver. 


Os textos são fortes, densos e intensos, exatamente como seu autor.


Integram a exposição colagens de 

Ana Julia Besciak inspiradas

nas escritas de

Eliseu Voronkoff.


Seguem os poemas que compõem a exposição:


RAIVA


Produzir o adjetivo que completa a

Frase inacabada de um dia chuvoso.

No cinza do dia frio

Na fonética desordenada de "Pingos nas Costas".

Parei e molhei a falta de ordem cadenciada

Que rodeia a terça-feira.

Sentado em cima do adjetivo,

Buscando no "Happy-End" o gêlo que faltava

Na dose de monotonia que precisava ser "On the Rock's".

Engoli quente derretendo o gêlo

Na calma da espera de calor suficiente

Crivado de diamantes que escorriam...

Help! Help!

"Where is my adjective?"


AUSTERO


Brotam folhas

Nascem flores

Pessoas vivem

Sentimentos nascem

Amores brotam

Momentos revivem.

Nada... Tudo...

Algo... Alguém...

Quem???

Vida e Morte

Guerra ou sorte

Amém...

As inspirações nem sempre vão além

Vivemos à espera de alguém

Sentimentos humanos estranhos

Bichos urbanos de um mal tamanho!


BARULHO


Ouço as janelas fechando

Pessoas e insetos conversando

Com a noite, na noite te enamorando.

Máquinas poluindo, barulhos borbulhando

Água pingando, detesto isso!

Quente, frio, ventando vício

Cheiro, tosses, comício.

Presidente! Quem??? Povo carente...

Eu ou ele, nós sempre rente

Tudo é, são... Só prá gente.

Sempre, sempre, só barulho, barulhos...

Que você às vezes não sente.

Não vê sem lente

Não ouve latente

Não fala prá gente…


ESPELHO ESPALHO


Quando me vejo

Reflito no espelho

Quem sabe um dia

Consiga ver-me

Na luz, no brilho, dos meus

Seus olhos

Procuro na vida os meios e receios

Achá-los-ei em morte e vida dos teus seios

Acalentando a melodia das coisas em volta

Natureza e destreza

Certeza de não se ter a revolta

Rimas... Acasalamento

Paralelas vindas de uma costela

Paraíso, maça, Adão e Eva

Uma serpente no sorriso

Chega de falar muito

Dizer nada

De novo donzela

E você?

Qual teu paraíso, infeliz sofredor...

Ele ou ela?

Na dor de viver como um coiote

Homem... Lobo-homem...

Nos olhos um lobisomem…


VERBOS


Cantam gotas que caem

Molham-me a retina cega.

Temperatura da alma vazia

Buscando a vida completa

Complexidade reversa do "Eu"

Cumplicidade explícita do "Nós"

Coragem reversa do "Eles"

Contagem regressiva do "Ser"

Zero absoluto na perspicácia do verbo.

Ser

Estar

Cantar e molhar.

Vendo a chuva que é

Que está

Que canta, molhando o verbo sentir…


INDECISAMENTE DECIDIDO


Sempre que me sinto só

Decidido que preciso amar

Quando decido não tenho a quem

Se tenho a quem

Ainda não decidi

Os seres passam

Mas não vêem

Vêem da janela

Não passam

Um dia a janela estará na minha mão

Sem ter uma parede para se sustentar

As pessoas falariam para não levar

Nem parede

Nem mãos

Jamais amar…


O VAPOR DE UM OLHAR


O vapor aquece o corpo

O sangue pulsa forte

Ele entra, olha, e, percebe o olhar azul

A vontade de dizer algo

Vamos???

Um toque, uma vontade, tudo...

O número do telefone

Enfim, um encontro, uma paixão

Os dois, beijos e marcas no corpo

E a alma vazia que se preenche

Ao som da música fria

Cantada em cima? Por, e, prá nós…


DIA É NOITE E DIA


Tempestade nos olhos azuis

Azuis dos raios nos céus das estrelas, e o sol

Com a lua só

De uma solidão sem dó


A luz do dia é o sol

O sol é o rei

Que cega e mostra

O sol que seca, doura e castra

As estrelas e a lua

E a nossa solidão só


O brilho da noite é lua, luar

A noite a solidão se mostra

De dia eu e o sol, sol só

A noite a solidão, solidão e a lua

O dia, a noite, eu só

Só, em uma solidão sem dó…


"FOME"


Das minhas mãos cairam piedades

Das faltas que haviam.

Fome de tudo o que quero,

Choro de tudo que velo,

Côro do amor que não veio...

Faltas de fomes que haviam,

Empurradas goela abaixo,

Sem perguntas nem vontades,

Foram todas formando o "Eu".

E o ego vazio no estômago cheio…


VOCÊ PODE? ENTÃO FAÇA!


Acordei!

Fui para a escola

Feliz!

Darei aula de arte.

Entrei na sala

Me bateram, me cuspiram...

Desespero!

Que arte posso ensinar?

Ensinar é aprender

Aprender que somos nada

Sentimos pouco

Somos pedra

Eu, aprendendo a ensinar

Viver sabendo se doar

O mínimo resultado,

É o máximo!

Cada dia um pouco

Eu um louco

Me escondo em minhas imperfeições

Suspiro... Eu posso,

Luto!

O que eles pensam?

É justo isso?

Não sei...

Sei que posso fazer alguma coisa,

E faço!



 
 
 

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