Exposição Lilith
A exposição é composta por poemas escritos e reunidos por Eliseu Voronkoff em uma publicação super artesanal que, acreditamos, tenha sido feita por ele mesmo.
O Eliseu era muito essa pessoa que fazia, que resolvia, que não sabia esperar, que tinha muita pressa e vontade de viver.
Os textos são fortes, densos e intensos, exatamente como seu autor.
Integram a exposição colagens de
Ana Julia Besciak inspiradas
nas escritas de
Eliseu Voronkoff.
Seguem os poemas que compõem a exposição:
RAIVA
Produzir o adjetivo que completa a
Frase inacabada de um dia chuvoso.
No cinza do dia frio
Na fonética desordenada de "Pingos nas Costas".
Parei e molhei a falta de ordem cadenciada
Que rodeia a terça-feira.
Sentado em cima do adjetivo,
Buscando no "Happy-End" o gêlo que faltava
Na dose de monotonia que precisava ser "On the Rock's".
Engoli quente derretendo o gêlo
Na calma da espera de calor suficiente
Crivado de diamantes que escorriam...
Help! Help!
"Where is my adjective?"
AUSTERO
Brotam folhas
Nascem flores
Pessoas vivem
Sentimentos nascem
Amores brotam
Momentos revivem.
Nada... Tudo...
Algo... Alguém...
Quem???
Vida e Morte
Guerra ou sorte
Amém...
As inspirações nem sempre vão além
Vivemos à espera de alguém
Sentimentos humanos estranhos
Bichos urbanos de um mal tamanho!
BARULHO
Ouço as janelas fechando
Pessoas e insetos conversando
Com a noite, na noite te enamorando.
Máquinas poluindo, barulhos borbulhando
Água pingando, detesto isso!
Quente, frio, ventando vício
Cheiro, tosses, comício.
Presidente! Quem??? Povo carente...
Eu ou ele, nós sempre rente
Tudo é, são... Só prá gente.
Sempre, sempre, só barulho, barulhos...
Que você às vezes não sente.
Não vê sem lente
Não ouve latente
Não fala prá gente…
ESPELHO ESPALHO
Quando me vejo
Reflito no espelho
Quem sabe um dia
Consiga ver-me
Na luz, no brilho, dos meus
Seus olhos
Procuro na vida os meios e receios
Achá-los-ei em morte e vida dos teus seios
Acalentando a melodia das coisas em volta
Natureza e destreza
Certeza de não se ter a revolta
Rimas... Acasalamento
Paralelas vindas de uma costela
Paraíso, maça, Adão e Eva
Uma serpente no sorriso
Chega de falar muito
Dizer nada
De novo donzela
E você?
Qual teu paraíso, infeliz sofredor...
Ele ou ela?
Na dor de viver como um coiote
Homem... Lobo-homem...
Nos olhos um lobisomem…
VERBOS
Cantam gotas que caem
Molham-me a retina cega.
Temperatura da alma vazia
Buscando a vida completa
Complexidade reversa do "Eu"
Cumplicidade explícita do "Nós"
Coragem reversa do "Eles"
Contagem regressiva do "Ser"
Zero absoluto na perspicácia do verbo.
Ser
Estar
Cantar e molhar.
Vendo a chuva que é
Que está
Que canta, molhando o verbo sentir…
INDECISAMENTE DECIDIDO
Sempre que me sinto só
Decidido que preciso amar
Quando decido não tenho a quem
Se tenho a quem
Ainda não decidi
Os seres passam
Mas não vêem
Vêem da janela
Não passam
Um dia a janela estará na minha mão
Sem ter uma parede para se sustentar
As pessoas falariam para não levar
Nem parede
Nem mãos
Jamais amar…
O VAPOR DE UM OLHAR
O vapor aquece o corpo
O sangue pulsa forte
Ele entra, olha, e, percebe o olhar azul
A vontade de dizer algo
Vamos???
Um toque, uma vontade, tudo...
O número do telefone
Enfim, um encontro, uma paixão
Os dois, beijos e marcas no corpo
E a alma vazia que se preenche
Ao som da música fria
Cantada em cima? Por, e, prá nós…
DIA É NOITE E DIA
Tempestade nos olhos azuis
Azuis dos raios nos céus das estrelas, e o sol
Com a lua só
De uma solidão sem dó
A luz do dia é o sol
O sol é o rei
Que cega e mostra
O sol que seca, doura e castra
As estrelas e a lua
E a nossa solidão só
O brilho da noite é lua, luar
A noite a solidão se mostra
De dia eu e o sol, sol só
A noite a solidão, solidão e a lua
O dia, a noite, eu só
Só, em uma solidão sem dó…
"FOME"
Das minhas mãos cairam piedades
Das faltas que haviam.
Fome de tudo o que quero,
Choro de tudo que velo,
Côro do amor que não veio...
Faltas de fomes que haviam,
Empurradas goela abaixo,
Sem perguntas nem vontades,
Foram todas formando o "Eu".
E o ego vazio no estômago cheio…
VOCÊ PODE? ENTÃO FAÇA!
Acordei!
Fui para a escola
Feliz!
Darei aula de arte.
Entrei na sala
Me bateram, me cuspiram...
Desespero!
Que arte posso ensinar?
Ensinar é aprender
Aprender que somos nada
Sentimos pouco
Somos pedra
Eu, aprendendo a ensinar
Viver sabendo se doar
O mínimo resultado,
É o máximo!
Cada dia um pouco
Eu um louco
Me escondo em minhas imperfeições
Suspiro... Eu posso,
Luto!
O que eles pensam?
É justo isso?
Não sei...
Sei que posso fazer alguma coisa,
E faço!





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