Trecho de Minha Loucura Conversa Com Flores

Somos todos atores Joana, vestimos enormes fantasias e interpretamos neste cenário que se chama terra, os personagens de nossa própria vida. Sim somos nós mesmos representando o papel que o destino nos deu. As vezes erramos uma cena ou então esquecemos um texto, dá um branco e pronto, mudamos os caminhos desta vida, ateamos fogo nos campos de girassol e acabamos com aquele amarelo que á pouco enchia de alegria os nossos olhos, vazados na tela e no pincel. Parimos então, os frangalhos das poesias que nossas entranhas umedeceram, e o nosso espírito se vai.
Andamos e andamos mil léguas, caminhamos cansados e encontramos na estrada um menino. Ele nos olha, nos admira com o esforço máximo do seu corpo fraco. Pede para levá-lo até a mais alta montanha e mostrar além daquilo, o salgado mar. A insistência é tola e juntos seguimos ao azul. Longa subida, pedras e espinhos, aquele corpo nos braços. Aqueles ossos. Aquela pele na minha pele. Na chegada, tudo era seco e algumas abelhas regavam o enorme jardim, voltam pra história os girassóis. Que se misturavam com a cor púrpura de algumas flores rasteiras. Meus olhos se perderam no tapete enigmático do céu, então, tomei emprestado os olhos do menino para que me ajudasse a observar. Ele sorriu, quebrou-se ao meio. Uma enorme ave varreu com o vento de suas asas a única beleza que me atrevi a admirar. E percebi que pode haver algo mais que uma simples canção além daquelas colinas, para embalar as pétalas. Segui cantando os versos e me vi um menino querendo encontrar alguém que pudesse mostrar além do infinito, a alma de Deus.
Trecho do texto teatral Minha Loucura Conversa com Flores, de Marcos Drewniak, lido durante o encontro do grupo de trabalhos manuais Tricontando e Oficina de Marca-páginas em Tricô ou Crochê.





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