Os amigos que habitam os livros.

No dia 23 de abril comemora-se, desde 1996, por determinação da UNESCO, o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. A data foi escolhida porque comemora-se o aniversário de nascimento e de morte de William Shakespeare, (1564 - 1616).Resolvi então fazer uma breve reflexão sobre os livros e a companhia que eles nos fazem, principalmente em tempos de isolamento.


Ah esses nossos amigos imaginários, que a cada página virada revelam um pouco mais de sua personalidade, nos encantando e fazendo parecer que o mundo em que vivemos é aquele, aquele que estamos lendo. Nosso mundo é o livro. E todo o mundo é habitado por pessoas. E cada pessoa tem sua personalidade, seu jeito próprio de ser, suas rabugices, seus amores, hábitos, manias, medos, amores, emoções, histórias...

E como nos interessam e inspiram essas histórias.


É, na verdade, com elas que nos identificamos, é nelas que construímos nosso refúgio da realidade. Uma espécie de cantinho particular, onde só podemos nos comunicar com as pessoas dos livros. E normalmente essas pessoas nos entendem tão bem, são cúmplices e ao mesmo tempo protagonistas de nossas próprias vidas. Nos raptam e nos revelam emoções que só podemos sentir através dos livros, ou melhor, só podemos reconhecê-las através da leitura.


E como é bom quando nos encontramos com nossos amigos e podemos trocar ideias sobre nossos problemas, doenças, alegrias, amores, família, enfim... qualquer assunto em comum é motivo para horas de conversa e páginas viradas. Até noites sem dormir, quando a conversa está muito boa!


Por vezes encontramos e conversamos com aquela mocinha “recatada e do lar” que talvez nós nunca seremos, mas gostamos de conhecer, pois ela nos traz um certo frescor, nos faz lembrar de uma inocência que há tempos não temos contato devido aos tempos árduos e estressantes que vivemos. Essas mocinhas, ainda nos mostram que estamos no caminho certo, lutando por nossos direitos, indo e vindo da forma que queremos e não nos submetendo a nenhum tipo de imposição. Essas meninas sofrem por amor platônico, às vezes cultivam amores (mais de um) lamentam-se e suspiram pelos cantos. Mas são bonitas, esguias, agradáveis aos olhos padrão da sociedade, têm sempre um dom artístico escondido, ou executam com afinco as tarefas domésticas.


Mas também encontramos aquelas que resistem ao padrão e ao preconceito, que focam no conhecimento, que brigam por um espaço na sociedade, que estudam e sabem-se inteligentes e capazes. Essas nos inspiram e nos causam uma certa inveja, pois talvez, nas entrelinhas a realidade não seja tão árdua, a batalha seja mais justa e a vitória se torna iminente.


Quanto aos homens, é cada figura que a gente encontra. Tem o boêmio, bonachão, que não dá muita atenção aos sentimentos alheios, está preocupado apenas com seu bem-estar, sua cerveja gelada e o resultado do último jogo do seu time de coração. Esses, quase sempre partem corações, causam dor, sofrimento e lágrimas, seja de uma pessoa, seja de uma família toda que se destrói ou dele próprio, que de repente se vê sozinho e sem perspectivas.


Mas alguns livros nos apresentam o tipo simpático, conquistador, cheio de gentilezas e demonstrando um grande caráter. Bem sucedidos na profissão, no trabalho e na vida. Esses, sem dúvida são para casar e as leitoras acabam se enamorando nas páginas do livro, sonhando encontrar na vida real alguém com essas características “darcinianas” que tanto atraem até as mais céticas.


Mas há também as que preferem os vilões e suas aventuras, afinal, podem ser bem interessantes esses moços que estimulam a adrenalina. Alguns rapazes são desconfiados, carregam durante toda a vida dúvidas mal resolvidas de um passado que preferem não discutir, apenas esconder e se remoer, causando dúvidas também nos leitores que ora tomam as dores do mocinho, ora o chamam de maluco e lhe indicam tratamento. O remédio poderia ser até a leitura de um bom livro, que como sabemos ajuda a curar alguns males da alma e do corpo.


E é assim que conhecemos pessoas que sofrem de algumas doenças físicas, mas que saem delas com perseverança e sem querer nos ensinam que o tempo tudo resolve e nos ajudam a passar pelas mazelas da vida de forma mais agradável e menos dolorosas. Mas são tantas as pessoas que encontramos nos livros, que às vezes nos confundimos, vivemos vidas alheias, sofremos, sorrimos, torcemos, sentimos raiva, desistimos, resistimos. Mas uma coisa é certa, as pessoas dos livros, assim como as pessoas que as lêem, buscam sempre um final. E de preferência, feliz.




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