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Prova de amor

Mulher para toda a obra. Para o que der e vier. Sente o drama do bêbado e vai buscá-lo na gandaia. Desde sexta-feira sem voltar para casa. Roda o centro. Fuça o Bar do Emídio e o Bakanas. Uma volta na Praça, desce até a Rodô. Até levou umas cantadas. - Ai, se não fosse o enrosco. De folia com o sem vergonha, está grávida de três meses. No Operário, conta a história triste e consegue entrar sem pagar. Dá um giro pelo salão e nada. Enfrenta o medo e pergunta dele pros maloqueiros na pelada da cancha do Seminário. Quase sem esperança, com o pé calejado de tanto andar. Encontra-o jogando sinuca no Bola de Ouro. Traz de arrasto. O boteco não se mete. Descem a ladeira da Bertolino Pizzato. A candanga de cara amarrada, se equilibra no cano da bicicleta. Ela bota fé na boleia do camarada. Confia sua vida. O magrão vindo de gole e a magrela sem freio. São, ele não é tão mau. Lembra o caminho de casa.


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